A tragédia das águas do Rio Acre, no mês de fevereiro na pequena cidade peruana Inapari se confunde com o drama dos haitianos que chegam todos os dias com o desejo de entrar no Brasil.
Cada rua da calma cidade converte-se em espaços de transitar contínuo e solitário desses visitantes efêmeros.
Pierre, Note, Bainet, Moises e muitos outros mais. Todos eles têm histórias em comum. Deixaram para traz seu país, suas famílias, suas amizades, seus amores. Tudo para perseguir um sonho de sobrevivência. As poucas economias que restaram depois da catástrofe do terremoto foram investidas na missão de entrar no Brasil.
Depois da passagem de milhares pela fronteira e da imposição de normativas governamentais que limitam o número de ingresso deles em território brasileiro, ainda é contínua a chegada dos haitianos na fronteira.
.jpg)
Hoje são mais de 50. Vivem todos juntos em uma precária casa abandonada que só tem 3 (três) quartos, serviços higiênicos em péssimas condições e sem eletricidade. O objetivo de todos é entrar no Brasil para trabalhar. Jean Cieul, perdeu o pai no terremoto, deixou o Haiti, trabalhou 2 (dois) na Republica Dominicana, 3(três) meses no Equador e investiu suas poucas economias de 3.500 dólares para chegar até a tríplice fronteira do Brasil, Peru e Bolívia. Ele demonstra desconhecimento com as novas normas de entrada no Brasil. Com o sentimento de frustação, deposita agora sua fé na presidente Dilma Roussef, e faz um apelo emocionado para que possa receber mais haitianos, “tenho certeza que o amor de mãe da presidenta, nos acolherá, seu coração vai falar mais alto. Ela é uma mãe pra gente. Fomos expulsos, nosso país está devastado e não vejo futuro nenhum lá”.
Cinema em Inapari
Coisas boas e coisas ruins têm acontecido na cidade que é a porta de entrada no Peru. Depois da conclusão da Transoceânica, estrada que liga o Brasil ao Pacífico, a população local enfrentou a tragédia da inundação deste ano com grandes perdas econômicas, mas isso não abalou o espírito de luta, pelo contrário, os fortaleceu.
Depois de 5 anos de itinerância contínua no Peru, a equipe do Festcineamazonia foi recebida com grande expectativa e excelente público na Praça de Armas de Inapari. No momento da exibição do cinema, peruanos, bolivianos, brasileiros e haitianos se confundiram entre si, fazendo desse momento uma verdadeira integração através da arte e da cultura.

As crianças também demonstraram sua alegria com a apresentação do Palhaço Tachuelita.
Para Abel Ferro Figueroa, cirurgião dentista: “Vocês estão promovendo a cultura nos espaços mais distantes e esquecidos do meu país, e com isso a gente passa a conhecer hábitos e histórias de povos diferentes. A integração não pode se dar só através de negócios empresariais ela precisa ser promovida culturalmente”.
A Ponte Integración inaugurada pelos presidentes Lula do Brasil e Allan Garcia do Peru, na divisa do Acre com a região Madre de Dios, precisa vencer as barreiras invisíveis que ainda persistem e o cinema é um bom caminho para isso.
.jpg)
As próximas exibições do festival acontecem em Ibéria / Peru (17/05), Porto Maldonado (19/05) e Cobija / Bolívia (20/05).
O Festcineamazonia Itinerante 2012 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural Municipalidade de Inapari, Rádio Integración e Rádio Bom Sucesso.
Por Daniel Oblitas, Jurandir Costa e Jhon Lopes Lazarte.
Fotos: Daniel Oblitas.